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O preço alto dos carros no Brasil

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O preço alto dos carros no Brasil

Mensagem por TheBombBR em Dom 12 Jun 2011, 18:45

Achei muito interessante, retirei do blog do Luis Nassif: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-preco-alto-dos-carros-no-brasil

O preço alto dos carros no Brasil
Enviado por luisnassif, sex, 13/05/2011 - 14:47
Por Ricardo Monteiro

Por que os carros custam tão caro no Brasil? Pessoalmente, sempre tive a impressão que a maior culpa é das margens de lucros dos fabricantes, em um mercado com viés comprador e com crédito farto. Marotos, os fabricantes põe a culpa de tudo em nossa carga tributária.

Abaixo, duas reportagens sobre o assunto do Hoje em Dia, de Belo Horizonte, um jornal fora do eixo SP-Rio que ultimamente vem apresentando ótimas matérias.

Do Hoje Em Dia

Porque nossos veículos custam tão caro?

A indústria culpa alta carga tributária, mas analistas garantem que fabricantes têm lucrado alto e fácil


Homero Gottardello e Marcelo Ramos - Editor-adjunto e repórter - 11/05/2011 - 16:28

A crise internacional não chegou ao Brasil apenas como uma marolinha e teve reflexos diretos no nosso cotidiano. Os preços dos bens de consumo subiram e os imóveis tiveram um aumento estratosférico. Até mesmo o setor de hotelaria vem cobrando preços mais altos que os de Nova York, Londres e Berlim. Acostumado com uma das maiores cargas tributárias do mundo, o setor automotivo brasileiro não sentiu tanto a passagem do furacão, mas continuamos pagando duas ou até três vezes mais que os europeus e norte-americanos pelos mesmos veículos. A indústria culpa os impostos, mas especialistas garantem que fabricantes têm um cenário altamente favorável por aqui, com mão-de-obra barata e todo o tipo de incentivo fiscal para sua instalação.

p>“Há mais fatores, além de impostos e rentabilidade, que agrava o problema do custo de nossos carros, começando por nossa infraestrutura miserável”, explica o analista Jorge Meditsch, um dos mais experientes do setor. “Quanto custa transportar matérias primas, peças e veículos prontos em rodovias, país acima ou país abaixo, por milhares de quilômetros de estradas muitas vezes em péssimas condições?”
Caro, muito caro, com certeza. E Meditsch lembra de outro ponto infraestrutural: “O sucesso de nossa indústria automotiva é outro problema. Como, hoje, praticamente todas as fábricas estão trabalhando no limite de sua capacidade, vendendo tudo o que produzem, as margens de lucro – que ninguém sabe exatamente quanto significam – certamente devem ser bastante altas”, avalia o especialista.

Ele também cita a desqualificação de nosso mercado, onde modelos que são considerados populares por norte-americanos e europeus são considerados de alto luxo por aqui, citando como exemplo o Toyota Corolla, o Honda Civic, o Ford Fusion e o Volkswagen Jetta. “Pagamos por eles o que em outros países se paga por modelos realmente luxuosos, como BMW, Cadillac e Mercedes-Benz”, lembra Meditsch. “Estamos condenados a rodar em carros baratos, inseguros e atrasados tecnologicamente não é por falta de dinheiro para modelos melhores, mas por um cenário confortável para a indústria e que não deve mudar tão cedo”.

Do outro lado, a indústria se defende e põe a culpa na alta carga tributária. “A composição total desta carga inclui diversos tributos como o Impostos sobre Produto Industrializado (IPI), Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), entre outros”, enumera o engenheiro Carlos Henrique Ferreira, gerente geral de comunicação da Renault. “Ainda é preciso ressaltar que a composição dessa carga tributária também varia, entre outros fatores. O IPI, por exemplo, tem alíquotas diferentes para modelos com motorização até 1.0 litro, entre 1.0 litro e 2.0 litros, e acima de 2.0 litros”.

Nos populares, por exemplo, a carga total é de 30%, com o IPI respondendo por 7% do bolo. Nos modelos intermediários, ela sobe para 33%, com o IPI indo a 11%. Já nos modelos supostamente de luxo a cascata tributária pode chegar a impressionantes 46%, com o IPI chegando a 25%.
Mas a discussão não para por aí.

Segunda reportagem:

Consumidor paga caro porque quer

Para especialistas, brasileiros ignoram custos de produção e aceitam preços exorbitantes por ignorância e vaidade

Homero Gottardello e Marcelo Ramos - Editor-adjunto e repórter - 11/05/2011 - 16:36

A carga tributária brasileira é, realmente, bem mais alta que de países desenvolvidos e até mesmo de vizinhos do Mercosul. Enquanto, nos Estados Unidos, ela gira em torno de 10% e, na França, não passa de 20%, a média nacional é de 38%, quase o dobro dos 22% da Argentina. Mas, para o engenheiro Mauro Zilbovicius, vice-coordenador do curso de capacitação em análise e projeto de negócios no novo setor automotivo, na Fundação Vanzolini, a questão não se concentra em impostos. De acordo com ele, trata-se também de uma questão social. “Os preços praticados no Brasil são altos porque há três milhões de consumidores dispostos a pagá-los, anualmente”, resume. “A grande oferta de linha de crédito, que contam com juros menores que em outras transações de mercado, impulsionou o setor automotivo, nos últimos anos. É isso”.

Segundo Zilbovicius, não há como mensurarmos as margens de lucro dos fabricantes instalados no Brasil, pois eles não publicam balanços em suas filiais. As poucas estatísticas que existem são referentes às matrizes, que divulgam dados em que constam suas operações na América Latina, onde os mercados brasileiro e argentino respondem por um enorme percentual. Mesmo assim, não são números exatos.

“No entanto, as estimativas é que as montadores tiveram lucros muito altos no Brasil, principalmente neste período de crise”, pontua o especialista. “O preço de uma mercadoria, seja um produto de vestuário ou um automóvel, se forma a partir da oferta e da procura. Hoje, por exemplo, há uma demanda aquecida no setor automotivo, gente disposta a pagar o que vem sendo cobrado”.

O analista Jorge Meditsch concorda com esta opinião. “Há alguns anos, estive na Dinamarca para o lançamento europeu de nosso Volkswagen Fox. O preço dele, na Alemanha, seria de menos de 10 mil euros – o equivalente a R$ 23,5 mil – por um modelo muito mais equipado que o vendido por aqui. Os dinamarqueses pagariam em torno de 16 mil euros – cerca de R$ 37.700 – pelo mesmo veículo”, exemplifica Meditsch. Além de serem valores mais baixos que os nossos, lá existem infraestruturas de transporte coletivo tão eficientes, que desestimulam o uso do automóvel no dia-a-dia. Já aqui, o cidadão comum, de classe média, se sente um miserável se não tiver um modelo zero-quilômetro”.

Ambos também concordam que não há como comparar as margens de lucro das matrizes e das subsidiárias brasileiras, pois as montadoras tratam o assunto como segredo de estado. “Como temos modelos que estão no mercado há 30 anos, é claro que seus custos de produção são bem menores que os de um projeto recente”, avalia o professor Mauro Zilbovicius. “A Volkswagen a Fiat fazem isso com o Gol e Mille, e, mesmo tendo investido em novas gerações, elas mantêm os modelos antigos em seu portfólio. A verdade é que os consumidores estão dispostos a pagar por eles e as montadoras não estão erradas. Precisam prestar contas para seus acionistas, que esperam lucros cada vez maiores”.

Para ele, não adianta culpar os impostos pelos preços altos. “Claro que a carga tributária é alta e, se fosse mais baixa, os preços poderiam até cair. Mas se as montadoras apenas baixassem suas margens de lucro, também daria para se vender carros mais baratos”, compara Zilbovicius. “No entanto, quem forma o preço é o próprio mercado e os fabricantes apenas estão seguindo uma estratégia mais segura, em termos financeiros. O consumidor brasileiro paga caro porque não se preocupa com</CW> custo e, sim, com preço”.

Ele se refere a uma lógica até simples, mas que é ignorada pelos consumidores. Trata-se do mesmo fenômeno que vem inflacionando o setor imobiliário brasileiro, mas que tem um histórico tão distante, no setor automotivo, que foi assimilado culturalmente. “O sujeito compra um apartamento de R$ 250 mil, sem se importar se o custo de construção dele foi de R$ 50 mil. Se o valor cobrado pode ser pago em centenas de prestações, ele não vê problemas em fechar negócio”, ilustra Zilbovicius. “Assim como morar em um bairro de alto padrão, ter um automóvel, até mesmo um popular, é um fator de ascensão social. Mas isso custa muito mais caro que as pessoas imaginam.”

Sobre a chegada das marcas chinesas, que acabam de criar um novo patamar com o Chery QQ, que se posicionou a baixo do Fiat Mille como o carro mais barato do país, ele é cético. “Os chineses só são vendidos por valores tão acessíveis porque precisam convencer pelo preço. Depois que se consolidarem, certamente vão ficar mais caros, como está ocorrendo com os modelos sul-coreanos”.

O Brasil fornece mão-de-obra barata e incentivos fiscais para a indústria automotiva, que nos retribui com os carros mais caros do mundo. Certamente, porque merecemos.
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